O GAP DOS CONCURSOS PÚBLICOS

Em inglês, a palavra Gap que dizer um abismo, fosso, espaço vago ou algo semelhante. Ou seja: É um grande espaço em banco entre uma coisa e outra.

E á disso que quero falar hoje: Um dos motivos em que relutei muito em voltar a estudar para concursos é o enorme GAP que existe entre cargo e remunerações.

Você pode, de boa prestar concursos para cargos entre R$ 1500,00 até R$ 4500,00 reais mais ou menos se preparando razoavelmente e sem muitos sobressaltos. São concursos perfeitamente possíveis onde, sim vale a máxima que "Se estudar você passa". Mai cedo ou mais tarde algum destes concursos acaba dando certo. Ok.

Quando você começou a estudar pra concurso te prometeram uma linda e felpuda lebre. Olha o que veio.


O problema começa quando você quer, ou precisa prestar um concurso de mais de R$ 4500,00. Acontece um enorme "Gap". Não tem concursos entre R$ 5000,00, e 9000,00. Você praticamente tem de pular de um concurso de R$ 3000,00 pra um de R$ 10000,00 sem dó e sem vaselina. E nem preciso falar que os pré requisitos e quantidade de matéria pra estudar aumentam astronomicamente de um concurso pra outro.

A lei da oferta e da demanda é impiedosa. Em época de crise (E com farta e maciça propaganda dos cursinhos) o concursos estão ULTRA saturados. E o que tem demais perde o valor. O concurseiro no caso.

O resultado natural são os órgãos públicos exigirem cada vez mais e darem cada vez menos. O que leva a casos de concursos para coveiro exigirem conhecimento médio em informática. Não pedem demais porque precisam disso pra pessoa exercer o cargo. Pedem demais porque podem. Tá sobrando desesperado querendo a vaga. É sórdido.

Evidente que se as super qualificações exigidas atingem a base da pirâmide dos concursos, também irão atingir o topo. Daí é um salve-se quem puder!

É exigência de 3 anos de prática jurídica pra procurador municipal com vencimentos de R$ 2500,00 por mês. É exigência de inglês fluente pra quem vai trabalhar no judiciário (E só vai usar português no dia a dia). São editais pra concurso de analista com matérias e quantidade que mais parecem que foram feitos pra concurso da magistratura federal. Não há limites para o nível de exigências quando a oferta de mão de obra é farta.

Eu sei que você já ouviu histórias dos "Bons e velhos tempos" em que bastava fazer a prova e esperar pra poder assumir um cargo público. Sim, isso aconteceu de verdade. E sim, infelizmente tudo mudou. Aquele tempo era assim por dois motivos que estão diretamente relacionados com a lei da oferta e da procura:

Primeiro: O salário do funcionalismo naquele tempo era bem menor. E havia infinitamente mais vagas na iniciativa privada com salários melhores. Era a época do: "Meu Tio semi analfabeto entrou de Pião na Volkswagem e com uma ano já esta com casa construída e carro zero". Nesse contexto não havia interesse em ser funcionário público ganhando menos. Estabilidade não importava porque sobrava emprego pra todo mundo.

Segundo: Derivado do primeiro motivo: Como havia mais, melhores e mais bem pagas vagas na iniciativa privada, o único jeito dos órgãos público conseguirem funcionários era fazer concursos praticamente "Pró forma", aceitando quem conseguisse escrever pelo menos o nome. Com isso, claro contratavam os piores funcionários que ninguém ais queria. Dai vem a fama de preguiçosos e incompetentes dos funcionários públicos. É por isso que você em sua repartição trabalha feito um Mouro (Mouro mesmo. Não Moro) escravo e nas festinhas de família, quando fala que é funcionário público, tomo mundo te olha com risinho de canto de boca te imaginando o dia todo deitado em uma rede com pilhas de papel em volta.

O exposto acima explica por que você e seus colegas de repartição trabalham tanto e tem eternamente o estigma de vagabundos.

Hoje em dia, tudo mudou. A inciativa privada não conseguiu absorver a oferta de mão de obra (Espacialmente a de semianalfabetos com diploma de curso superior que foram criados no governo Lula com o incentivo a universidades em detrimento do ensino de base) e o resultado foi um achatamento de salários, aumento de exigências e diminuição de vagas tão brutal e cruel que rapidinho todo mundo começou a "perceber" os concursos. Que repito, naquela época eram bem fáceis.

Paralelamente a isso, a constituição federal de 88 aumentou muito a importância do poder Judiciário. E os magistrados que não são bobos nem nada, aproveitando o novo prestígio adquirido, começaram a fazer o que todo mundo faz quando tem mais poder. Foram conseguir mais dinheiro, e com Lobbys junto ao legislativo aumentaram muito seus vencimentos, o que levou a um efeito cascata que aumentou TODO o funcionalismo já que vencimentos dos ministros do Supremo são referência.

Isso fez com que o serviço público chamasse a atenção de todos (Facilidade de entrar e ganhos maiores que na iniciativa privada).Isso fez com que surgissem cursinho para concurso que vendiam o nirvana de um bom cargo baratinho pra quem quisesse pagar e estudar lá. E isso inflou ainda mais o mercado dos concursos. Mas ainda estava sob controle.

Lá pelo início dos anos 90 começou o processo de glamourização e gourmetização do serviço público com cada vez menos vagas que são disputadas por cada vez menos gente. Mas como ganhavam (muito mesmo) dinheiro com isso os cursinhos continuaram vendendo o que não tinham mais (A possibilidade certa de aprovação). Se for ver bem, até hoje os cursinhos vendem seu material como se ainda houvesse vagas pra todos. Nada mais longe da verdade.



E ai que esta o problema. Nem todo mundo quer ser ou tem saco pra estudar anos a fio pra ser Procurador da república, auditor da fazenda, Defensor público, Juiz, etc... O que muita gente (Eu incluso) quer é aumentar um pouco o salário e melhorar as condições de trabalho, não se tornar uma eminência jurídica. Não temos paciência, tempo e nem saúde pra isso.

O que coloca muitos concurseiros como eu em um dilema: Tentar escalar um montanha bem mais baixa do que a que eu preciso, sabendo que isso não vai resolver meus problemas, ou dar uma de kamikase e tentar escalara montanha mais difícil dispendendo uma quantidade de tempo, dinheiro e esforço muitíssimo superior ao que realmente eu preciso? Simplesmente não há meio termo.

Este texto não é para chorar as pitangas ou reclamar. Nem pra apresentar uma solução, já que entendo que ela não existe. É apenas para expor que o mundo dos concursos mudou radicalmente e tem muita gente (especialmente cursinhos) que vendem uma realidade que não existe mais pelo menos a uns 20 anos. 




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